Nos preocupamos com o corpo, mas e a alma? Os sentimentos???

Nutrimos uma preocupação constante com a opinião alheia, mas será esta tão importante?

Nossa colunista Marcia de Luca fala sobre os valores pessoais e a aceitação de opiniões alheias


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 Foto: ThinkStock

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Você já ouviu falar do conceito de sombra? Para entendê-lo, precisamos primeiro compreender a dualidade inerente à vida. Pense na luz e na sombra, no sagrado e no profano, no divino e no diabólico, no feminino e no masculino. Esses e tantos exemplos mais são como os dois lados de uma mesma moeda: inseparáveis.E o detalhe é que, em diferentes aspectos, todos nós possuímos sempre os dois lados -e precisamos aceitá-los sem ficar colando o rótulo de bom ou ruim em cada um deles.
Segundo o psicanalista suíço Carl Jung, porém, a tendência é ignorar nossas fraquezas e nossos defeitos, projetando-os nos outros. Muitas vezes não nos sentimos suficientemente legais e nossa autoestima lá embaixo nos traz mais insegurança ainda. Aí a saída pode ser transferir nossas deficiências. Assim, tentamos culpar as pessoas, acusando-as com base em nossas perspectivas.
Recorremos à projeção como uma arma poderosa de defesa. Ela é um mecanismo que nos protege contra a tão temida rejeição.E é por uma necessidade básica do nosso ego que nutrimos uma preocupação constante com a opinião alheia sobre nós mesmos. Mas será que ela é, de fato, tão importante? Acho que valiosa é a certeza de que estamos pensando eagindo dentro da nossa verdade – sim, porque a verdade é algo subjetivo erelativo.
Uma grande sacada é aprendermos que não precisamos ter sempre razão. Podemos simplesmente aceitar a opinião alheia mantendo a nossa integridade. Nas relações amorosas, no entanto, tendemos a criticar e a julgar no outro tudo aquilo que não aceitamos em nós mesmos. Esse comportamento recebe o nome de “espelho dos relacionamentos”. Ou seja, o que você vê no parceiro nada mais é do que uma projeção de si. Quer dizer, ele passa a ser a sua sombra!
Ter consciência das próprias ações é o primeiro passo para mudar. Sugiro, então, que se empenhe em banir esse padrão nefasto, substituindo-o por um novo. Afinal, só conseguimos eliminar um hábito quando temos outro para colocar no lugar. Fácil? Nem tanto, embora seja bem possível. Basta ter uma intenção firme, muita disciplina para empreender um esforço moderado (nunca extremo!)e dar tempo ao tempo.É dessa forma que chegamos lá.
Para evoluirmos como seres humanos,é primordial aprendermos a nos aceitar exatamente como somos, sem tirar nem pôr. Portanto, de agora em diante, em vez de qualidades e defeitos, que tal enxergarmos apenas características? Somos o que somos. Simplificando, a sugestão é eliminar da sua vida a necessidade de julgar e criticar as pessoas. Para tanto, observe tudo que não gosta no outro e procure esses traços de personalidade dentro de você -e não se assuste se encontrar! Pesquise ese conheça mais. Repare que, em contrapartida, há uma empatia natural com pessoas que possuem as características que você mais aprecia em si mesma.
Para ajudar no processo, entenda também que cada um se comporta conforme o nível de evolução em que se encontra e devemos respeitar isso. Se você começar a agir dessa maneira, com altas doses de compreensão eaté de compaixão, desencadeará ao seu redor um círculo virtuoso, beneficiando-se com a infalível lei do Universo de ação e reação. Quem ébenevolente com todos, sem dúvida, receberá igual energia na imensa maioria das vezes.E aí o dia a dia fica muito mais fácil. Compromisso firmado? Então, vamos que vamos rumo ao bem-viver.
MARCIA DE LUCA é especialista em ioga, meditação e ayurveda e uma das idealizadoras do movimento Yoga pela Paz. Também assina a coluna “Viva melhor”, na revista BONS FLUIDOS

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